Relatos Integrar – vamos conhecer os alunos!

Eluane Cristiéli Vasata

Aos 17 anos Eluane deixou a família chorando na rodoviária para percorrer 800km e ir viver em Florianópolis. Ela tinha feito a inscrição para participar do Projeto, e por mais que aquele choro fosse dolorido, ela sentia que o seu lugar era no Integrar e futuramente na Universidade Federal.

Em sua cidade de 9 mil habitantes, no Oeste de SC (tão longe e tão pequena que ela nem me falou o nome) morava com os pais agricultores, estudava o dia todo e ainda ajudava nos afazeres da casa. Sempre foi boa aluna e isso é orgulho para os pais, que a incentivam a cada nova decisão. Conhecem a filha, confiam nela.

Prestou vestibular em 2014, passou para universidade particular, pai e mãe emprestaram dinheiro para a matrícula, moveram o que tinham e o que não tinham pelo do sonho da filha: continuar estudando.

Eluane percebeu que não era justo deixar os pais passarem por aquela aflição, algo precisava ser feito. Ao saber do cursinho na Capital, não pensou duas vezes e se inscreveu. Ainda sem saber se seria ou não selecionada, foi com o dinheiro para o primeiro mês de aluguel e algumas caixas de comida.

Como a vida costuma ser generosa com aqueles que a desafiam, achou emprego na primeira semana e conseguiu manter-se na Ilha.

“O Integrar está sendo um dos melhores presentes que ganhei na vida, uma chance de mostrar meu potencial. Sou extremamente grata a cada um dos mestres que estão na sala de aula, com entusiasmo, paixão pelo que fazem, preocupados com o futuro da sociedade.

Estou aprendendo muito mais do que fórmulas e gramática, estou aprendendo sobre a vida, sobre como ser uma pessoa melhor em todos os aspectos. Sei que a ajuda deles tornará meu sonho possível e logo estarei cursando Direito. Como eles, quero ajudar o próximo através do conhecimento.

Todos os dias sinto saudades de casa. Não é fácil aos 17 anos ter tantas responsabilidades, mas o que me dá mais forças é saber que no mundo existem pessoas boas e projetos maravilhosos como o Integrar, que transformam vidas. Serei eternamente grata por essa chance. Muito obrigada à família Integrar”.

 

Gledson Osnildo de Souza – Relato em primeira pessoa

Sou o Gledson, nascido e criado no Monte Serrat em Florianópolis. Eu quero ser exemplo na minha família e na minha comunidade. Quero ser visto como alguém que deu certo, e eu sei que o que transforma as pessoas é a mudança de pensamento, de opinião diante da vida.

Eu fui transformado pelo Projeto Travessia, que me acompanhou dos ensinamentos da infância até a entrega ao mercado de trabalho. Com ele eu aprendi a defender os interesses do lugar onde eu vivo e das pessoas que compartilham desse espaço.

Muitos dos meus amigos que não viveram com o acompanhamento do Projeto se envolveram com o crime. Acreditam que não existe outra opção além dessa, que não vamos ser aceitos aqui embaixo. O Projeto me mostrou que não, que cada um é dono de si e da sua história.

Eu construí um nome lá dentro, tive boas oportunidades, trabalhei em lugares que nunca imaginei que conheceria. Não sabia que um dia ia conviver com políticos e ter um função na Assembleia Legislativa.

No Integrar tive outra acolhida, tenho vários amigos na sala de aula. Trabalhar e estudar não é fácil, é cansativo, mas penso no meu sonho maior. Quero cursar Direito na Federal, quero ter sócios e montar um escritório. Quero mudar de vida, poder ter uma geração melhor para meus filhos e toda a minha família.

 

Daniel Henrique Ferreira da Silva

A história familiar do Daniel é digna de roteiro de filme, e não só falando da mãe, pai, avós e mais antigos. Seguindo esta linha, ele também fez acontecer. Saiu de Santarém, no Pará, para vir estudar no sul. Escolheu Florianópolis como casa, aqui batalha o dia a dia, busca o sustento, visa um futuro melhor.

Aos vinte anos de idade tem um filho de seis. Filho adotivo, mas que é seu. A mãe do menino, sua namorada, foi quem lhe colocou a empreitada de viver em Santa Catarina. Vieram em março de 2013 para dividir moradia com a irmã dela. Adaptar-se não foi fácil. Norte e sul são distantes também em seus costumes: ‘o paraense para na rua e conversa com os estranhos. Aqui não tem disso’.

Voltar para a casa dos pais nunca foi opção, a vida religiosa que eles levam impede que mãe e filho se entendam em suas ideias e maneiras de ver a vida. Aqui já trabalhou no Mc Donald’s e hoje é agente de pesquisa do IBGE, fez concurso e passou. Sai do trabalho às 17h, vai direito estudar. Chega em casa às 23h, às 6h já está de pé. A rotina corre.

Seu sonho? Cursar Física em uma Universidade Federal. Vai tentar UFSC e UFRGS. Já perguntaram: ‘ah, por que não faz algo que dê dinheiro’. Sua resposta? ‘Quero estudar o que eu gosto, interagir com o conhecimento, ampliar minha capacidade de aprender. Quero viver a Universidade, virar pesquisador.’

Daniel é aluno Integrar, faz parte de uma turma que o recebeu muito bem, que o faz sentir parte de um grupo. Tudo o que está recebendo quer devolver à comunidade. Esse é o espírito: Educação com paixão, ensino que se importa com as pessoas, uma corrente de boas ações.

One Comments

  • Ana Cláudia Nunes 09 / 01 / 2017 Reply

    Inspirador!

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