Rafael Luis da Silva
Biblioteconomia UFSC

Sou do município de Lages, onde morávamos eu, meu irmão, minha irmã, meu pai e minha mãe, antes de fazer umas viagens.
Meus tios contam que meu pai e minha mãe tinham uma relação estranha: minha mãe trabalhava para por comida em casa, enquanto meu pai gastava dinheiro com outras coisas. Pela certidão de óbito, ela morreu mais nova do que eu, ela só tinha 28 anos de idade. Aí começa a nossa jornada de viagens, idas e vindas, parentes, tios, desconhecidos.
Logo que minha mãe veio a falecer, meu pai deixou meus dois irmãos e eu com tios para vir pra cidade de Florianópolis tentar arrumar um lugar pra gente, mas isso não demorou muito, pois ele já tinha um lugar. Antes mesmo de minha mãe morrer ele já tinha uma outra mulher, que mais tarde viria ser a nossa
madrasta. Logo viemos pra Floripa, nos instalamos em sua casa junto de mais dez pessoas, incluindo seus cinco filhos. No início tudo bem, mas logo foi se configurando um cenário nada agradável: seus filhos sempre recebiam o melhor tratamento, já eu e meus irmãos éramos os mais cobrados.
Rafael SilvaApós nove anos morando com minha madrasta, meu pai ficou muito doente e logo também morreu, muito novo por sinal (faleceu aos 31 anos de idade). Ficamos perdidos, éramos muito novos. Como não queríamos mais ficar com a nossa madrasta por conta de tudo o que tinha acontecido conosco, decidimos ir para o conselho tutelar, que por sua vez nos encaminhou para o juiz da vara da infância para que nós pudéssemos decidir com que parente queríamos ficar. Cada um de nós escolheu um tio, prima e padrinho com quem mais tinha afinidade.
E assim seguimos com quem escolhemos. Nos separamos, nossas amizades se enfraqueceram, aprendemos a viver um longe do outro.
Nossos caminhos tomaram outros rumos – como somos falhos, eu não seria diferente. Em um momento muito sensível da minha vida meti-me em algo que não me traz orgulho.
Passado momentaneamente o meu desespero, comecei a me envolver com pessoas que começaram a me mostrar coisas que eu poderia fazer e que me dariam prazer. Terminei o meu ensino fundamental e logo comecei a trabalhar.
Mas eu via que o mercado de trabalho começava a exigir o ensino médio, então pedi ajuda e consegui me inscrever no CEJA (Centro de Educação para Jovens e Adultos) e terminei o tão desejado no momento, o ensino médio.
Depois disso comecei a trabalhar no comércio e assim minha vida era, trabalhar, futebol uma vez por semana e casa.  Saí do comércio e comecei a trabalhar em uma ONG no bairro Monte Cristo, onde morei um bom tempo. Comecei a ter contato com pessoas que estavam nesse mundo acadêmico, que até então eu pensava que não era pra mim.
Essas pessoas me mostraram que sim, era possível sim. Nesse período de transição da minha vida conheci uma pessoa que é muito importante em minha vida, na época uma amiga, hoje uma amiga e namorada, e foi através dela que eu fiquei sabendo do Projeto Integrar. Esse projeto me capacitou e me ajudou a expandir novos horizontes, o tempo todo nos dizendo que o nosso lugar é dentro da universidade.
E aqui estamos.