Luciana Freitas
Estudante de Ciências Sociais

Luciana Freitas Estudante de Ciências Sociais Moradora do Maciço do Morro da Cruz e mãe de dois garotos, resolvi aos trinta anos voltar aos bancos escolares. Até a chegada no Ensino Superior formam seis longos anos entre EJA e cursinho pré- vestibular comunitário. Foi a partir desse projeto que percebi que eu poderia começar a sonhar, mesmo diante de muitos desafios avistei a possibilidade de estar em uma universidade pública e, principalmente, ingressar por meio das políticas de Ações Afirmativas.Luciana Nos três anos que se seguiram para entrar na UFSC eu trabalhava como promotora de vendas, com uma jornada de 40h semanais. Em algumas noites só o meu corpo estava presente em sala de aula, eu estava exausta, pois as várias jornadas — filhos, casa, estudo, trabalho —consumiam minhas energias, mas eu persistia. O exercício de auto-estima e a crença de que somente a educação poderia transformar meu contexto social foram fatores importantes para que eu prosseguisse a caminhada. Então chegou o dia mais importante da minha vida: aconteceu em fevereiro de 2011, me dirigi até a UFSC e lá nas paredes daquele ginásio eu vi meu nome na lista de aprovados. Chorei, chorei por mim, por todos aqueles que acreditaram e por aqueles que não acreditaram também. Entrar na universidade é um grande desafio, todavia manter-se lá não é uma das tarefas mais fáceis. Já na primeira fase tive dificuldade de pagar transporte, pois havia perdido o emprego. Nada foi fácil e nada é principalmente para quem escolhe se dedicar à educação, mas a persistência e a crença de que é o conhecimento que molda, que muda, transforma, e que dá possibilidades para que uma mulher, negra, mãe, moradora de comunidade como eu, e que acredita, assim como Mandela, que a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.