Divulgação do processo de seleção de entrevistas:
o olho no olho em territórios invisibilizados em nossa sociedade

Desde 2015, além das inscrições realizadas via site do Projeto Integrar (http://www.projetointegrar.org/), inquietações diversas acerca do processo de divulgação e da acessibilidade às informações levaram a ex-estudante, atualmente professora do Projeto e atuante em diferentes frentes e movimentos de resistência como Movimente Negro Unificado de Santa Catarina e Coletivo 4P (coletivo de estudantes negras e negros na UFSC), Luciana de Freitas, a propor uma atuação mais efetiva na divulgação e na ampliação das vagas para atingir e (re)conhecer de fato os estudantes-trabalhadores, moradores das comunidades periféricas e negras  de Florianópolis, sujeitos invisibilizados em relação a sua condição econômica, a sua identidade étnico-racial e sexual.

 

Desse modo, Luciana começou a organizar, juntamente, com outros ex-estudantes do projeto, membros da Gestus, uma divulgação que sobe comunidades, que vai até centros comunitários e associações em defesa de direitos humanos, estabelecendo parcerias e indo ao encontro do estudante, em um processo olho no olho.

 

A ideia é desmistificar uma falácia sobre a acessibilidade e sobre a igualdade de oportunidades. De acordo com Luciana, temos uma falsa impressão de que todos têm acesso à internet, porque há um senso comum que prega que a informação está disponível a todos, no entanto, isso certamente não é verdade por inúmeras razões, sendo uma delas a questão econômica por trás da condição dos sujeitos que precisam dar conta de outras necessidades básicas antes de pensar nas questões relacionados a entretenimento e cultura. Se quisermos fazer o diferencial, precisamos sair da nossa zona de conforto, indo para o confronto, entendendo que temos privilégios e questionar esses privilégios, compreendendo que já é tempo da busca por uma sociedade de equidade.

Inscrições no Monte Serrat e no Morro da Queimada
Fonte: acervo do Projeto Integrar

 

A organização dessa etapa de divulgação conta fundamentalmente com membros da Gestão Estudantil Universitária, promovendo em suas comunidades e em espaços articulados com as comunidades um momento de conversa que vai de porta em porta e que explica aos possíveis futuros estudantes a proposta de ampliação de oportunidades trazida pela participação no projeto e pelo ingresso na universidade. De acordo com Luciana, muitas vezes, esse é o primeiro contato que algumas pessoas têm com a ideia de pensar em outras perspectivas e essa possibilidade pode vir a desencadear interesses futuros na busca por outras realidades.

Inscrições na ADEH Fonte: Acervo do Projeto Integrar

 

A experiência é única e conforme aponta Luciana é o momento de entrar em contato com o que defendemos como perfil de nossos estudantes, entendendo um pouco mais acerca do entorno e do que buscamos como base de atuação.

 

Neste ano, a divulgação aconteceu no Monte Serrat, no Morro da Queimada e na Comunidade do Siri; além disso, foi estabelecida parceria com a Associação em Defesa dos Direitos Humanos (ADEH), com assistente social do clube Avaí, com a representante Elisangela Ferreira, coordenadora das passistas da escola de samba da Coloninha e ainda com o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop).

 

A conversa, o contato com os sujeitos envolvidos na busca por uma transformação de nossa sociedade é fundamental para inspirar outras pessoas a pensarem e agirem em favor dessas mudanças, que começam por pequenos/grandes (?) passos em direção a outras realidades, modificando a vida de cada um e partindo para atuações que se situam numa ideia do coletivo.

 

Mudar é preciso. Educação é Mudança de olhar, de agir, de pensar!

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